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O Brasil em 2050 PDF Imprimir E-mail
Escrito por Administrator   
Ter, 10 de Agosto de 2010 19:36

Recentemente, numa conversa com alguns amigos, discutíamos qual era a perspectiva que possuíam a respeito do Brasil no ano 2050. Para alguns – os mais pessimistas – a data parecia tão distante, que já se imaginavam em alguma outra dimensão. Para outros, otimistas e com maior apego à existência terrena, não havia grandes perspectivas quanto a mudanças no País ou até mesmo seu posicionamento no mundo.
Confesso que a conversa me deixou um tanto preocupado, afinal, o Brasil tem evoluído muito nestes últimos anos, apesar das frustrações inerentes a certo comodismo que se abate na sociedade brasileira,.o que a leva a não conseguir movimentar-se tão rapidamente quanto deveria. Do meu ponto-de-vista, o futuro do Brasil é brilhante, com o País exercendo um papel muito mais influente no contexto internacional, em razão do tamanho do seu Produto Interno Bruno (PIB), ascendendo à 5ª posição econômica no mundo e do futuro de sua atuação.

Como eu vejo o Brasil em 2050, então?

Em primeiro lugar, entendo que a configuração internacional mudará bastante nos próximos anos e que o papel desempenhado pela União Européia tenderá a diminuir, em razão de um cansaço existente naquele continente e o envelhecimento de sua mão-de-obra, com um influxo imigratório que, certamente, modificará muito da cultura européia que hoje conhecemos e representará um quadro constante de tensões. O Japão também parece seguir no mesmo caminho. No que tange aos Estados Unidos, há que se reconhecer a pujança e a vitalidade da economia e do povo norte-americano. No entanto, o espírito de luta certamente se acomodou um tanto em razão dos benefícios explorados durante todo o seu período de dominação, além de uma fadiga em razão dos altos custos inerentes a ser o número um na questão militar e em outros pontos de liderança internacional.

Surgem, assim, três novos países com um papel mais relevante: China, Índia e Rússia. Diferentemente do Brasil, vemos aqui três potências nucleares, que, apesar do seu crescimento econômico, são assombrados por problemas internos de grande relevância, que – para nossa sorte – diferem completamente da natureza daqueles por nós eventualmente enfrentados. A China, além de não ter experimentado, ao longo de sua história, uma verdadeira democracia, tem na sua diversidade o seu maior desafio para evitar a fragmentação e a necessária busca de autodeterminação de alguns de seus povos. A Índia, apesar de ser uma grande democracia, tem um problema enorme de pobreza, que é perpetuada pelo fator religioso, além do problema constante da ameaça de vizinhos portadores de armas nucleares que não lhe são muito simpáticos. Quanto à Rússia, a riqueza deste tem uma grande base na indústria petrolífera, estando, portanto, suscetível à variação de preços da commodity, além dos desafios do envelhecimento populacional e a sensação nostálgica de império do passado, agora perdido e somente assegurado pelo poderio nuclear ainda existente.

Neste cenário surge o Brasil como potência estável, vocação pacífica e com diversidade popular, com uma cultura um tanto monolítica. Deveremos alcançar um PIB de mais de 10 trilhões de dólares, conforme previsões econômicas. Este número pode modificar-se bastante em razão do aumento da camada de petróleo pré-sal – se o mundo continuar viciado em petróleo – o que pode catapultar-nos muito além, se os recursos forem utilizados de modo inteligente para diversificar nossa matriz exportadora.

Reconhecidamente, o Brasil atual é uma potência agrícola e ambiental. Nestes dois aspectos, podemos ampliar em muito a nossa relevância. Durante muitos anos, o Brasil foi considerado o celeiro do mundo. Trata-se de um erro, pois isso nos tem levado uma exploração equivocada do nosso potencial agrícola, causando-nos dependência em commodities, o que somente enriquece a poucos e nos sujeita negativamente a quaisquer alterações ou sensibilidades do mercado mundial. Ao invés de celeiro do mundo, vejo o Brasil em 2050, como o supermercado do mundo. Sim, ao potencializarmos a utilização de nossa produção agrícola, agregando-lhe valor e transformando em produtos efetivamente comercializáveis, já devidamente processados e industrializados no território brasileiro, de acordo com rigorosos padrões internacionais de qualidade.

Na questão ambiental, o País deverá ter resolvido a questão da melhor utilização econômica de sua biodiversidade e preservação da floresta, como efetivo pulmão do mundo. No entanto, aprenderemos a utilizar um recurso ainda inexplorado, que é o nosso potencial de água potável, exportando este bem precioso para os países que tão desesperadamente necessitarão desta que é a essência da vida.

O Brasil terá um aumento de movimentos religiosos, com um declínio das religiões mais tradicionais, dando ao País uma maior diversidade religiosa, o que necessariamente implicará a modificação do relacionamento entre os indivíduos, em atitudes mais politicamente corretas menos exacerbadas em razão de uma tropicalização desses novos fenômenos religiosos. Creio, no entanto, que o espírito brasileiro tropicalizará muito dessas religiões, adaptando-as à cordialidade do povo. Haverá também muita decepção em relação a alguns movimentos, mas a fé continuará a ser um fator relevante no País.

A democracia brasileira já deverá estar consolidada e vibrante, com o firme propósito de aumentar a prosperidade do povo, sob um regime presidencialista mais estável. Creio que nesta ocasião, deverão ter ocorrido algumas modificações no nossos sistema eleitoral, em que efetivamente o voto seja entendido como um direito sagrado e respeitado, no seu valor individual e coletivo, e as instituições sejam muito mais fortes do que os indivíduos, baseando-nos, primariamente, na idéia de que a ordem constitucional deve prevalecer sempre sobre a autocracia, que necessariamente tende a ser impregnada por corrupção. O voto distrital e o conceito de “um cidadão, um voto” darão maior legitimidade à nossa classe política, ao conciliar, efetivamente, o conceito de representante e representado. A Justiça, informatizada, não tardará tanto a ser exercida, em razão da estabilidade das regras e da conscientização do Poder Judiciário de que constitui a última esperança do cidadão nas instituições do Estado.

Antevejo ainda um desenvolvimento mais consolidado, com a utilização sábia de nossos recursos naturais e uma diminuição necessária da dependência nas commodities. O Brasil, ao tornar-se o “supermercado do mundo” necessariamente alterará a sua pauta de exportações, tornando-se, efetivamente, um exportador múltiplo, agora de produtos com valor efetivamente agregado.

O avanço tecnológico será muito maior, em razão dos incentivos governamentais que deverão ser oferecidos a toda e qualquer empresa que faça uma parte de seu desenvolvimento e pesquisa no território nacional. Com isto se tornará maior o número de empresas multinacionais brasileiras, com uma redução na taxa de desemprego, em razão de uma especialização maior de nossa mão-de-obra. A riqueza do País incrementará o fluxo migratório de outros povos ao Brasil, o que nos forçará a adotar medidas de maior integração à nossa cultura.

Creio, também, que a essa altura, o governo terá diminuído os programas populistas de distribuição de renda e terá compreendido que o melhor investimento que pode fazer é investir em pessoas e na infra-estrutura do Brasil, com a respectiva valorização do trabalho e empreendedorismo, levando necessariamente a um incremento no número de pequenas e médias empresas, diminuindo, substancialmente, o problema anacrônico da pobreza no País.

Por fim, nossas Forças Armadas, a serviço do Poder Civil, passarão por uma enorme reformulação e modernização, não com o intento bélico, mas sim o de proteger nossas fronteiras e recursos naturais, em terra, mar e ar, além de uma participação mais intensa nos conflitos existentes em outras partes do mundo.

Sim, o futuro do Brasil é brilhante. Tudo, no entanto, depende de cada um de nós, pois o mundo se tornará aquilo que quisermos que ele se transforme. Basta entendermos, de vez, que o futuro que almejamos está em nossas mãos. A grandeza é o nosso destino e dever, afinal, este é o melhor país do mundo!